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quinta-feira, 4 de abril de 2019

A vida imita a arte. Ou seria ao contrário?

Homenagem feita aos alunos de Suzano (SP), no muro da Escola Raul Brasil.
Fonte: Google.
No último dia 13 de março, a Escola Estadual Raul Brasil, na cidade de Suzano (SP), foi atacada por dois ex-alunos com tiros de metralhadora, ataques com machados e tentativas de tiros com arco e flecha. A invasão e a morte de sete alunos deixou a comunidade local aterrorizada e todo o mundo chocado. Esse tipo de ato violento não é muito comum por terras brasileiras. A única chacina de que temos conhecimento aconteceu em 2011, no bairro de Realengo, no município do Rio de Janeiro (RJ), quando também um ex-aluno invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira e matou ao todo 12 pessoas, cometendo suicídio na sequência.

Este post vai relembrar alguns filmes que retrataram acontecimentos semelhantes, em escolas ou outros espaços comuns, que contavam com a presença de inocentes que acabaram sendo mortos.

O mais famoso é filme do diretor Gus Van Sant, Elefante (2003) que retrata algo semelhante ao ocorrido nas escolas mencionadas acima. O filme conta a história de dois adolescentes que aguardam a chegada de metralhadoras semiautomáticas para cometerem o atentado em uma escola. 




O filme, à época, chocou o público pela coragem de tratar de tema tão delicado. Pela ousadia e ao mesmo tempo pela delicadeza, o diretor ganhou três prêmios no Festival de Cinema de Cannes, um deles a Palma de Ouro. Para mim um roteiro arrebatador, com uma direção firme e belas atuações.

Outro filme lançado um ano antes (2002), recria a tragédia mais famosa ocorrida dentro de uma escola norte americana, o massacre na escola Columbine. O filme Zero Day, dirigido por Ben Coccio, também multi premiado, choca pelo uso da linguagem em relato dos autores do crime, ao descrever as motivações e as sensações envolvidas na decisão de atentar contra a vida de centenas de alunos. As aparições são muitas vezes sarcásticas e chocam pela crueldade no uso das palavras.






Outro filme que tem como base os acontecimentos de Columbine é April Shower (2009), que narra a partir de uma sobrevivente, o retorno à escola e a tentativa de se levar uma vida normal após a morte de vários alunos. Esse drama é o menos famoso das três obras e tem uma pegada mais sentimental que o normal, de drama mesmo.

Na pesquisa sobre filmes com a temática ainda encontrei Manhã Sangrenta (2002), Duck! The Carbine High Massacre (1999), Tarde Demais (2010), Bang, Bang! Você Morreu! (2002) e Sem Medo de Morrer (2007).


Filmes para reflexão sobre maus tratos na escola, ausência familiar na criação dos filhos e bullying. Muita coisa pode explicar, mas nunca justificar.

Fica a dica!
Carol Cavalcanti


sábado, 24 de novembro de 2018

O homem e o trabalho no filme nacional 'Arábia', de Dumans e Uchôa

Para me fazer feliz precisa pouco. Um presente que adoro receber e uma experiência que amo compartilhar são os filmes e suas histórias. Recentemente, fui presenteada com cinco filmes e um deles é o destaque de hoje; porque você me pediu para falar sobre e também porque é um filme que vale a pena ser conhecido. Então vamos lá!




Diretores: João Dumans, Affonso Uchôa
Com: Aristides de Sousa, Murilo Caliari, Gláucia Vandeveld, Renata Cabral, Renan Rovida.
Gênero: Drama.
Produção: Brasileira
Ano: 2017
Duração: 97 minutos
Várias premiações, menções e participações em festivais internacionais. Nacionais? Não, não encontrei nenhum até o momento.






O filme narra, a partir da descoberta de anotações de um operário recém falecido, como foram seus últimos anos de vida e de luta para sobreviver, absorto pelo sistema de produção que engessa e desumaniza os seres humanos; o do trabalho manual, braçal, forçado e quase escravo das fábricas, das grandes fazendas produtoras de frutas e da construção civil.
O início do filme traça a trajetória de Cristiano, personagem que tenta a qualquer custo não ficar parado para não ser passado para trás. Por todos os tipos de empregos passou, mas apenas no último é que consegue perceber no corpo cansado a opressão a que ele e seus colegas eram submetidos.

" [...] Pela primeira vez parei para ver a fábrica. Tristeza de estar ali. Foi como acordar de um pesadelo [...]". 

Outro ponto interessante e que preciso tratar aqui, é do aspecto técnico do filme, da filmagem em si que parece remeter muito aos filmes realizados analogicamente. Por quase todo o filme, podemos dizer que a história é contada durante os anos 1980 ou 1990. Cidades pequenas que não evoluíram no tempo, cinzas por causa da emissão da fuligem das fábricas, puteiros de quinta categoria e a diversão ficando por conta das atividades realizadas pela própria fábrica, como se o tempo tivesse parado. Mas, lá pelas tantas do filme, Cristiano faz um ligação com um celular da era smartphone e aqui, se pudesse questionar os diretores, perguntaria: ato falho ou proposital? Deixo o questionamento para os cinéfilos de plantão.

Este não é apenas um filme sobre às condições precárias de determinados tipos de atividades ou sobre as condições mínimas de vida dessas pessoas, mas sim das consequências de todas essas relações. As pessoas adoecem, as pessoas não amam, as pessoas fogem em busca de algo melhor e acabam sendo esmagadas, e muitas vezes mortas, pelo cansaço do trabalho pesado. É um filme para valorizarmos o que comemos, o carro que temos e as estradas pelas quais dirigimos, porque esses seres invisíveis é que nos proporcionam alimentos frescos em nossas mesas, enquanto são tratados como (novos) escravos vivendo à míngua.

O quanto nós, que trabalhamos em salas climatizadas e não sabemos o que é o trabalho braçal a não ser ao vislumbrar as rugas e mãos calejadas de nossos jardineiros de três em três meses, conhecemos desses homens e mulheres que nos alimentam, mas mal tem condições de comer? Vivemos ainda hoje, aqui no Brasil, sustentados por mão-de-obra escrava? A minha leitura final, ao concluir o filme e me sentar em frente à tela do computador em uma cadeira muito confortável que comprei com meu trabalho intelectual que me causa, às vezes, rugas de preocupação, é que não conhecemos a vida real que levam essas pessoas. São invisíveis e não as valorizamos. Simples assim. Ponto.


Mas, como este blog é para falar de cultura e a sétima arte é uma delas, fica a minha dica para assistirem a um belo filme nacional, com enquadramentos interessantes e uma excelente trilha sonora. O roteiro, de tão simples e real chega a incomodar. Faca afiada.

Só posso agradecer o presente e que venham mais da mesma qualidade.

Carol Cavalcanti

Ah, sobre o título do filme é uma metáfora que caiu como uma luva, mas para entender vai ter que assistir até o final, mesmo que te incomode.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Um novo tempo

Quero me aprofundar um pouquinho em alguns filmes que estão concorrendo ao Oscar este ano e que tive a chance de assistir. São eles: Me Chame pelo seu Nome, O Destino de uma Nação, A Forma da Água e Três Anúncios para um Crime. O que há em comum entre eles?

O primeiro é um pintura, uma beleza de romance homossexual, em um lugar bucólico da Itália, na década de 1980. O segundo, é um filme político, de estratégias, de um homem só tentando salvar uma nação. Na sequência temos o que parece ser um filme fantástico, com uma criatura aquática e um romance entre espécies. E por fim, uma mãe em busca de justiça pelo assassinato de sua filha adolescente. O que há em comum entre eles? 

Vamos esmiuçar mais um pouquinho. O primeiro tem como foco um amor gay, o segundo o embate entre Inglaterra e a Alemanha de Hitler, o terceiro é sobre a Guerra Fria e o lugar das minorias (negros e gays) na sociedade norte-americana, e por fim, um crime, uma adolescente violentada, morta e carbonizada. E ai, o que há em comum entre eles? Pelo meu olhar, as discriminações contra as minorias. Temos este ano filmes políticos no foco das exibições cinematográficas. E não que não mereçam, mas estarem ali, também é um ato político.

Tratar sobre tais assuntos, dar destaque, é o que temos visto recentemente nas grandes premiações de cinema, televisão e música. Mulheres lutando contra o assédio sexual e moral, baixos salários entre outros. Homens gays também falando sobre assédio. Negros e mulheres reclamando da falta de espaço e de reconhecimento!! No ano passado o número de negros entre indicados e premiados superou em muito os últimos anos, e com certeza acalmou um pouco o pessoal da linha de frente dos movimentos (considerados) minoritários.

Será que não é isso que o Oscar e outras premiações estão fazendo? Reconhecimento verdadeiro ou mais uma questão de política? O que dá para dizer - e não assisti ainda a todos os indicados - é que os filmes são excelentes, que os círculos de premiação estão de parabéns ao olhar para o cinema independente, mostrar sua existência e incentivar a exibição de filmes que não são necessariamente  super produções. Atores fantásticos nunca reconhecidos agora são favoritos (Gary Oldman e Frances McDormand), histórias já contadas são revisitadas com outro olhar (falar da Gerra Fria e preconceitos a partir de um peixão com coração humano, é bacana! não podemos negar!), o nazismo sempre dá pano para manga mesmo quando parece que já é um assunto esgotado, e mexer na ferida da ineficácia e truculência da polícia, da violência contra a mulher a partir da coragem de uma única mulher e três anúncios em uma velha estrada, é uma ótima pedida para um bom filme e boas atuações.

O que temos esse ano são filmes reflexivos. Que saibamos refletir então e que não seja apenas uma onda passageira para acalmar os sindicatos disso ou daquilo. E viva Meryl Streep que teima em não nos abandonar!!

Carolina Cavalcanti Bezerra

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

"Oscarizáveis" 2018

Como de praxe, todos os anos divulgamos a lista de indicados ao Oscar; premiação mais famosa do cinema internacional, mas não necessariamente a melhor ou mais justa. Com certeza o red carpet mais famoso, onde desfilarão os vestidos e joias mais exuberantes do momento. Será que haverá protesto? Será que o preto será a cor predominante dos vestidos das atrizes e convidados? Veremos!
São 24 categorias que tem como maior indicado o filme A Forma da Água, que concorrerá em 13 categorias, seguido por 8 indicações do filme de guerra Dunkirk. Três Anúncios para um Crime tem 7 indicações; com 6 cada disputam os filmes Trama Fantasma e O Destino de uma Nação.

Meryl Streep está de volta com sua 21ª indicação (batendo seu próprio recorde), mas não é a favorita. Teremos dois brasileiros concorrendo, o diretor Carlos Saldanha pela animação O Touro Ferdinando, e o produtor Rodrigo Teixeira, pela co-produção de Me Chame pelo meu Nome (melhor filme).

Então corram! Se são loucos por cinema e gostam de ver antes da premiação, que ocorrerá no próximo dia 4 de março, consulte a programação do cinema mais próximo de você. Eu, terei que esperar, porque aqui em Campina Grande a predileção são por filmes infantis, comédias, ou filmes que rendam uma boa bilheteria. 

Boa sessão de cinema para vocês! E caso não saibam o que assistir, selecionamos alguns trailers. Basta clicar sobre o nome do filme que aparece em destaque no primeiro parágrafo.

Namorinho de Sofá


Melhor Filme
"Dunkirk"
"Me chame pelo seu nome"
"O destino de uma nação"
"Corra!"
"Lady Bird - É hora de voar"
"Trama Fantasma"
"The Post - A Guerra Secreta"
"A forma da água"
"Três anúncios para um crime"

Melhor Diretor
Christopher Nolan ("Dunkirk")
Jordan Peele ("Corra!")
Greta Gerwig ("Lady Bird: É hora de voar")
Paul Thomas Anderson ("Trama fantasma")
Guillermo del Toro ("A forma da água")

Melhor Ator
Timothée Chalamet ("Me chame pelo seu nome")
Daniel Day-Lewis (“Trama Fantasma")
Daniel Kaluuya ("Corra!)
Gary Oldman ("O destino de uma nação")
Denzel Washington ("Roman J. Israel, Esq.")

Melhor Atriz
Sally Hawkins ("A forma da água")
Frances McDormand ("Três anúncios para um crime")
Margot Robbie ("Eu, Tonya")
Saoirse Ronan ("Lady Bird: É hora de voar")
Meryl Streep ("The Post - A Guerra Secreta")

Melhor Roteiro Adaptado
"Artista do desastre" (Scott Neustadter e Michael H. Weber)
"Me chame pelo seu nome" (James Ivory)
"A Grande Jogada" (Aaron Sorkin)
"Logan" (Scott Frank, James Mangold e Michael Green)
"Mudbound" (Virgil Williams and Dee Rees)

Melhor Roteiro Original
"Lady Bird: É hora de voar" (Greta Gerwig)
"Doentes de Amor" (Emily V. Gordon e Kumail Nanjiani)
"Corra!" (Jordan Peele)
"A forma da água" (Guillermo del Toro)
"Três anúncios para um crime" (Martin McDonagh)

Melhor Ator Coadjuvante
Willem Dafoe ("Projeto Flórida")
Woody Harrelson ("Três anúncios para um crime")
Richard Jenkins ("A forma da água")
Sam Rockwell ("Três anúncios para um crime")
Christopher Plummer ("Todo o Dinheiro do Mundo")

Melhor atriz coadjuvante
Allison Janney ("Eu, Tonya")
Mary J. Blige ("Mudbound")
Lesley Manville ("Trama Fantasma")
Laurie Metcalf ("Lady Bird: É hora de voar")
Octavia Spencer ("A forma da água")

Melhor Filme em Língua Estrangeira
"Uma Mulher Fantástica" (Chile)
"O Insulto" (Líbano)
"Sem amor" (Rússia)
"Corpo e Alma" (Hungria)
"The Square: A arte da discórdia" (Suécia)

Melhor Design de Produção
“Blade Runner 2049”
“A bela e a fera”
"O destino de uma nação"
"Dunkirk"
“A forma da água"

Melhor Fotografia
"O destino de uma nação" (Bruno Delbonnel)
“Blade Runner 2049” (Roger Deakins)
“Dunkirk” (Hoyte van Hoytema)
“Mudbound” (Rachel Morrison)
“A forma da água” (Dan Laustsen)

Melhor Figurino
"A bela e a fera"
"O destino de uma nação"
"Trama Fantasma"
"A forma da água"
"Victória e Abdul"

Melhor Canção
"Remenber me" ("Viva - A vida é uma festa")
"Mighty river" (Mudbound)
Mystery of love ("Call me by your name")
"Stand up for something" ("Marshall")
"This is me" ("O rei do show")

Melhor Edição
"Em ritmo de fuga"
"Dunkirk"
"Eu, Tonya"
"A forma da água"
"Três anúncios para um crime"

Melhor Mixagem de Som
"Star Wars: Os últimos Jedi"
"Em ritmo de fuga"
"Blade Runner 2049"
"Dunkirk"
"A forma da água"

Melhor Edição de Som
“Em ritmo de fuga”
“Blade Runner 2049”
“Dunkirk”
“A forma da água”
“Star Wars: The Last Jedi”

Melhor Animação
"O poderoso chefinho"
"The Breadwinner"
"Viva: A vida é uma festa"
"O Touro Ferdinando"
"Com Amor, Van Gogh"

Melhor Curta de Animação
“Dear Basketball”
"Garden Park"
“Lou”
“Negative Space”
“Revolting Rhymes”

Melhor curta
"Dekalb Elementary"
"The 11 o' clock"
"My Nephew Emmett"
"The silent Child"
"Waty Wote/All of us"

Melhor Trilha Sonora
"Dunkirk"
"Trama Fantasma"
"A forma da água"
"Star Wars: Os últimos Jedi"
"Três anúncios para um crime"

Melhor documentário
"Abacus: Pequeno o bastante para condenar"
"Visages villages"
"Ícaro"
"Últimos homens em Aleppo"
"Strong Island"

Melhor documentário em curta-metragem
"Edith+Eddie"
"Heaven is a traffic jam on the 405"
"Heroin(e)"
"Knife Skills"
"Traffic Stop"

Melhor maquiagem e cabelo
"O destino de uma nação"
"Victoria e Abdul"
"Extraordinário"

Melhores efeitos visuais
"Blade Runner 2049"
"Guardiões da galáxia Vol. 2"
"Kong: A ilha da caveira"
"Star Wars: Os últimos Jedi"
"Planeta dos Macacos: A guerra"

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Sessão de Cinema

Uma pessoa querida vive me dizendo que eu deveria ter um blog sobre cinema já que vejo muitos filmes - nem tantos quanto gostaria - e porque ela acha que meus breves comentários sobre os mesmos são  interessantes. O "breve" se refere ao fato de ser mais objetiva em redes sociais sobre os filmes que assisto, não tentando convencer ninguém da qualidade desse ou daquele filme. Entendo que gosto cinematográfico não se discute. Eu posso odiar um filme e você adorar. Perfeito! Podemos conversar sobre as diferenças e também sobre os pontos em comum. Gosto não se discute!

Pegando o mote, certa insistência dessa amiga e aproveitando para abrir os trabalhos em 2017 vou falar não tão brevemente de alguns filmes que já assisti em 2017. Comecemos com Chocolate (Chocolat, França, 2016), drama que retrata a história de dois palhaços famosos no século 19 na França, mas que dá maior ênfase para o pouco que se sabe da biografia do primeiro palhaço negro da França, o tal Chocolate do título. Além de impecável direção de arte e cenários, figurinos impressionantes, um roteiro bem escrito e atores bem preparados, o filme traz à discussão o racismo, mas mais do que isso, a visão que se tinha do africano, construída e consolidada pelas Feiras Mundiais que representavam os clãs africanos como selvagens. Especial atenção à cena em que Chocolate é confrontado no encontro com seus "irmãos selvagens". 


O próximo filme, As Confissões, uma produção ítalo-francesa de 2016 tem como seu maior trunfo - a meu ver - o elenco. Toni Servillo, Danil Auteuil, Pierfrancesco Favino, Connie Nielsen entre outros, são representantes do G-8 que se encontram para traçar os novos rumos do mundo em relação aos países de terceiro mundo. Porém, algo inesperado acontece e o suspense toma conta da produção que busca desvendar o mistério que envolve àquelas pessoas e ameça a paz mundial. O roteiro é muito bem escrito e as atuações marcantes.

Na sequência vamos tratar do musical americano La La Land (2016) que concorre a 14 Oscars. Vejam bem, do meu ponto de vista é só mais um filme. Já minha mãe adorou! Então, em quem acreditar? Em você, claro! Mas, para isso você precisa assistir ao filme e dizer se ele é lá essas coisas todas ou é apenas uma boa produção que tem como forte o figurino, os cenários e as canções. De resto, como seu colega Titanic (1997) que teve o mesmo número de indicações, não merece mais do que prêmios técnicos. Ah, é um filme sobre sonhos, praticamente sobre "the american dream of live". 

Julieta, do espanhol Pedro Almodóvar já é outra conversa. Tudo está no seu devido lugar. Como havia dito em uma rede social e que aqui repito "Não tem quem escreva melhor roteiros e tire o melhor de seus atores do que Pedro Almodóvar". O filme é um drama familiar com tudo que você possa imaginar, mas menos histriônico que outros filmes do diretor. Para quem não conhece a obra de Almodóvar pode começar com esse filme. Vale esclarecer que não estou chamando P.A. de histriônico, mas alguns de seus roteiros chegam a esse patamar. Atenção à trilha sonora, sempre emocionante e parte do filme.
Bom, para começar ficamos com essas dicas de cinema. Em breve dividirei aqui com vocês novas experiências imagéticas, tentando sempre manter o nível alto nas escolhas dos filmes, não menosprezando nenhuma qualidade de filme - menos pornôs e de terror, que não ouvirão comentários da minha boca.

Saudações cinematográficas,
Namorinho de Sofá

sexta-feira, 29 de abril de 2016

To be or not to be, that is the question

Você com certeza já ouviu a frase ser ou não ser, eis a questão. Não?! Pois é sobre o autor da mesma e de peças teatrais de quem iremos falar hoje. Brevemente, porque o rapaz completaria 400 anos de vida se estivesse vivo e para saber profundamente sobre ele e sua obra tem que pesquisar a fundo, tem que gostar da época em que ele viveu e das coisas que escreveu. Vamos começar com uma curiosidade, ele nasceu e morreu no mesmo dia: 23 de abril. Sim? Já sacaram? Estamos falando do poeta, ator e dramaturgo inglês William Shakespeare.

Shakespeare hoje, talvez, seja mais conhecido devido ao advento da televisão e do cinema e a massificação dos meios de comunicação e das imagens. Esses veículos deram e dão a possibilidade de inúmeras interpretações de suas peças, sonetos e poemas, de tempos em tempos.

Das mais famosas podemos destacar A Megera Domada, O Mercador de Veneza, Sonho de uma Noite de Verão. Das tragédias os destaques são Macbeth e Romeu e Julieta, dente outros. Dos dramas históricos apresentam-se Ricardo II e Ricardo III, além das "séries" Henrique (IV, V, VI...).



E, o que teria para nos dizer hoje esse inglês famoso? De suas obras, quais nos fariam refletir em termos de política e negociatas? Resolvi ir atrás de algumas frases célebres e destacá-las por sua atualidade:

1) "Você faz suas escolhas e suas escolhas fazem você".
2) "Descobre que leva-se anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida".
3) "Quando os vilões ricos precisam dos vilões pobres, estes po­dem impor o preço que quiserem".
4) " As pequenas mentiras fazem o grande mentiroso".

Vejamos a obra A Tempesta, de Shakespeare que conta a seguinte história:

"A tempestade mostra o governo instaurado por Próspero, em uma ilha, após ter sido destronado do Ducado de Milão por seu irmão Antônio, pactuado com o rei de Nápoles. Em seguida à usurpação, ele é colocado, com sua filha Miranda, num barco (com alguns livros e mantimentos, graças à nobreza de Gonçalo) que, à deriva, os conduz até a ilha. Mais tarde, já de plena posse de novos poderes, a generosa fortuna permite que Próspero se vingue dos usurpadores, quando eles estão navegando nas costas da ilha. Próspero arma uma tempestade e com a ajuda de Ariel, o espírito servidor, manipula os destinos dos náufragos, que conseguiram chegar às praias da ilha, também habitada por outros espíritos e por Caliban, escravo peçonhento" (CHAIA, 1995, p.169)

Destacam-se as seguintes falas do texto (CHAIA, 1995, p. 171 apud SHAKESPEARE, 1991: ato I, cena II):

"Próspero:... O que queres pedir?
Ariel: A minha liberdade.
Próspero: Antes do prazo? Nem pensar.
(...)
Próspero (a Ariel): Serás tão livre quanto o vento das montanhas. Mas deves seguir rigorosamente as minhas ordens
(...)
Caliban (a Próspero) ... Esta ilha é minha, porque foi de Sycorax, minha mãe. E tu a tomaste de mim ... Porque eu, que sou teu único súdito, era antes meu próprio rei. E aqui me aprisionaste neste rochedo, enquanto te apossas do resto da ilha".



Aproveitando a deixa do aniversariante da semana para uma breve reflexão sobre a atualidade das ações do nosso Congresso Nacional. Bom. É por ai. Assim seguimos, na vida e na política, atuais como Shakespeare. A vida imita a arte...e vice-versa.

Jaguar.


Referência

CHAIA, M. A natureza da política em Shakespeare e Maquiavel. Estud. av.,  São Paulo ,  v. 9, n. 23, p. 165-182,  Apr.  1995 .   Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141995000100011&lng=en&nrm=iso>. Acesso em  28  Apr.  2016. 

SHAKESPEARE, W. A tempestade. Rio de Janeiro, Relume Dumará, 1991.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Liquidez Finita

Temos que falar da falta d'água que se instalou no Brasil no ano de 2014 como consequência da falta de consciência do brasileiro que não sabe usar e reutilizar esse bem tão precioso e da falta de políticas públicas (reflorestamento, reuso da água, despejo de esgoto, etc. etc etc). Estamos hoje passando por maus bocados. Aqui, vejam, começamos o racionamento (na véspera do feriado) e ficamos 36 horas sem receber uma gota de água na torneira. Registros desligados! No meu caso, pobre de mim, recentemente comprei uma casa e a caixa que tenho como reservatório é bem módica (por sinal, aqui tá vendendo caixa como água!). Menos de 36 horas depois já não tinha como fazer mais nada. A pia tá cheia e o banho de ontem, não posso descrever, me fez refletir sobre os sertanejos, sobre pessoas que vivem em locais sem infraestrutura básica e sempre sofrem mais do que nós...fiquei pensando se na casa do prefeito houve racionamento. Bom, essa não é uma crônica sobre política.

A escassez ou mesmo a falta d'água me fizeram lembrar de alguns filmes. Um em especial onde a chuva é atuante e não falta, pelo contrário. Faz parte do cenário, é atriz coadjuvante em quase todas suas cenas, é necessária, é infinitamente presente: Blade Runner (Ridley Scott, 1982). O filme se passa em 2019, então, se pensarmos aqui em coincidências (no caso de São Paulo), daqui a 5 anos teremos chuva para encher qualquer reservatório ou açude pelo nosso país afora. Primeira dica de filme para o feriadão: 1) rever Blade Runner.
 

Google - Cena de Blade Runner.


Outro filme é Morte e Vida Severina, oposto ao anterior no quesito excesso de água. Você pode escolher a versão: tem a de 1977 com Tânia Alves ou a de 2010, em desenho animado. Essa última é visualmente incrível, um belo filme. É a que sugiro para refletirmos sobre como devemos nos preocupar bem mais com essa questão.
 

Google - Morte e Vida Severina.

Então, se nesse feriado você não tem o que fazer ficam as dicas para vocês de bons filmes.


Namorinho de Sofá

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

E o Oscar foi para...

Oscar 2013.

Muitas surpresas na premiação do Oscar 2013:
Muitas músicas, homenagem a todos os filmes de OO7. Tiveram que cortar os excessos e algumas canções deixaram de ser apresentadas.
'Argo' surpreende e ganha como melhor filme.
Melhor filme estrangeiro: 'Amour'.
Curiosidade como roupas e outras banalidades não costumamos postar, tem em toda mídia social.
No mais, segue a lista de ganhadores:

Veja a lista completa de vencedores:
Filme: "Argo" 
Direção: Ang Lee, por "As Aventuras de Pi" 
Ator: Daniel Day-Lewis, "Lincoln" 
Atriz: Jennifer Lawrence, "O Lado Bom da Vida" 
Ator coadjuvante: Christoph Waltz, "Django Livre" 
Atriz coadjuvante: Anne Hathaway, "Os Miseráveis" 
Roteiro original: "Django Livre" 
Roteiro adaptado: "Argo" 
Animação: "Valente" 
Filme estrangeiro: "Amor" (Áustria) 
Trilha sonora: "As Aventuras de Pi" 
Canção original: "Skyfall", de Adele, "007 - Operação Skyfall" 
Fotografia: "As Aventuras de Pi" 
Figurino: "Anna Karenina" 
Documentário: "Searching for Sugar Man" 
Curta de documentário: "Inocente" 
Edição: "Argo" 
Maquiagem: "Os Miseráveis" 
Direção de arte: "Lincoln" 
Curta de animação: "Paperman" 
Curta-metragem: "Curfew" 
Edição de som: empate entre "A Hora Mais Escura" e "007 - Operação Skyfall" 
Mixagem de som: "Os Miseráveis" 
Efeitos visuais: "As Aventuras de Pi"


Aimée.