sexta-feira, 25 de abril de 2014

Selarón: celebração a vida, mosaico de cores

Quando imaginamos que vimos tudo de belo nessa vida nos deparamos com uma escadaria, despretensiosamente instalada em uma discreta entrada da Lapa (Rua Joaquim Silva) e que termina na Ladeira de Santa Teresa no Rio de Janeiro. Surge então uma história que precisa ser contada....

Fonte: Google
A beleza também está presente na simplicidade e mais do que tudo, na energia positiva de certos locais, de determinadas obras de arte que tem uma história peculiar. Resolvemos assim, falar de Jorge Selarón (Limache/Chile, 1947 - Rio de Janeiro/Brasil, 10/01/2013), artista que chegou ao Brasil em 1983 e transformou 215 degraus e 125 metros de comprimento em arte.

Hoje, um dos lugares mais visitados dos bairros da Lapa e Santa Teresa, já foi motivo de gozação ao artista que abandonou a pintura para se tornar o azulejista mais famoso do mundo. Também uma forma de sobreviver, pois sem dinheiro, muitas vezes chegou a passar necessidades. O curioso de sua obra é a autenticidade, já que o material utilizado por Selarón, os azulejos, eram presentes dos turistas de toda parte do mundo que visitavam sua obra a céu aberto. O artista sobrevivia da venda de quadros, postais e outras obras.

No mesmo ano em que a Escadaria Selarón ou Escadaria do Convento de Santa Teresa foi tombada pelo Patrimônio Cultural da cidade do Rio de Janeiro, em 2005, Selarón recebeu o título de Cidadão Honorário do município, claro reconhecimento a sua obra e de sua relevância para o turismo loca.

Foto de Namorinho de Sofá


Foto de Namorinho de Sofá

Escadaria Selarón é considerada pela National Geographic como "a maior escultura no mundo feito por um único indivíduo" e o reconhecimento da obra no Rio de Janeiro inspirou a escadaria de San Francisco (Califórnia, EUA), obra das artistas Aileen Barr e Colette Crutcher.

A escadaria já serviu de inspiração para ensaio da Playboy americana e abrigava a Cia. dos Atores. A morte ainda sem muitas explicações do artista colocou um ponto final na obra: Fala do próprio Selarón que acreditava ser, sua obra inacabada, enquanto estivesse vivo.

O artista foi encontrado queimado, ao lado de um pote de thinner, na escadaria que o consagrou.

Mais informações sobre o artista e a obra:


Fica a dica!
Namorinho de Sofá

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Você conhece o Boi (que) Falô?

Desde 1986 a festa realizada no distrito de Barão Geraldo, município de Campinas (SP), atrai não somente os moradores locais, mas visitantes da redondeza para a famosa macarronada servida na festa do Boi Falô. A comemoração folclórica, já incorporada ao calendário municipal e estadual de festejos e coordenada pela Sub Prefeitura do distrito e pela Secretaria de Cultura de Campinas, relembra a "lenda" de um boi que falou.

Fonte: Google
A história relata que um escravo, em uma Sexta-Feira Santa, foi buscar alguns animais para o trabalho. Um desses bois se recusou não se levantando mesmo sendo inúmeras vezes castigado. Na sequência o boi fala ao escravo: "Hoje não é dia de trabalhar! Hoje é dia de Nosso Senhor Jesus Cristo!". Assustado, o escravo volta a sede da fazenda correndo e gritando "O boi falô! O boi falô!" e conta a história ao capataz, que constata a fala do escravo ao ouvir o boi repetir a fala. Outra versão diz que o capataz indignado tenta castigar o escravo preguiçoso, mas o Barão Rezende, dono das terras, concorda com o escravo Toninho e ordena a dispensa de todos os escravos daquele dia de trabalho. 

Versões da mesma história se alastraram durante as décadas e o resultado disso é que milhares de pessoas que não viajam no feriado religioso se encontram para comer, encontrar as pessoas, passear pela feirinha de artesanato montada no local e curtir a programação cultural (música, literatura e teatro estão sempre presentes). Um típico compromisso familiar, que só em 2009, em sua 14ª edição, teve a participação 2.500 pessoas com a benção do padre da paróquia local. Vale ressaltar que essa não é uma festa pagã e sempre (foi) é iniciada com a oração do pároco da comunidade local.

Fonte: Google
A festa que cresce a cada ano toma ar de programação cultural e social já que todo ano uma entidade sem fins lucrativos aparece para falar, por exemplo, sobre a preservação da Mata Atlântica, que (ainda) rodeia parte do Distrito de Barão Geraldo, oficializado em 1953. Nada é jogado fora, o que não é consumido na festa é distribuído à comunidade.

Se você e sua família não tem programação para o feriadão fica a dica de um ótimo programa que todo ano se reinventa para não deixar desaparecer a cultura local. 
Fica a dica!
Namorinho Sofá e o Boi que Falô

terça-feira, 1 de abril de 2014

50 anos do Golpe de 64: a temática na sétima arte

O Brasil relembrou ontem, 31 de março, os cinquenta anos do Golpe Militar de 1964. O início de uma ditadura que matou, torturou e acabou com os sonhos de milhares de brasileiros por uma vida "democrática", "justa" e qualquer outro adjetivo que remeta ao desenvolvimento igualitário social; durou 21 anos.

A maioria das músicas, livros, peças teatrais e filmes produzidos nessa época foram censurados. A matéria de hoje é para recordar e não deixarmos esquecer que qualquer tipo de cerceamento à liberdade de expressão ou a de "ir e vir" dos cidadãos de qualquer parte do mundo não pode ser mais tolerada. Não podemos esquecer do nazismo alemão ou do fascismo italiano. Nossos "governantes" à época foram beber nessas fontes. Não devemos esquecer dos nossos algozes, nem de nossos fantasmas.

Para isso relembramos alguns filmes que trataram a temática, bem como sugerimos a página no Facebook Ditadura e Tortura Nunca Mais e depoimentos sobre o período. 

Filmes: 

Cabra Marcado para Morrer (1984) do diretor Eduardo Coutinho tem uma história pré-produção muito interessante onde "Em fevereiro de 1964 inicia-se a produção (...), que conta a história política de líder da liga camponesa de Sapé (Paraíba), João Pedro Teixeira, assassinado em 1962. No entanto, com o golpe de 31 de março, as forças militares cercama locação no engenho da Galiléia e interrompem a filmagem" (FONTE). De fácil acesso pode ser baixado no Youtube e poderá ser assistido hoje pelos alunos da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) na Programação Debates: Ditadura nunca mais, que se realizará durante toda essa semana.



O que é isso companheiro, filme de Bruno Barreto que conta a história da troca de presos políticos pelo embaixador americano sequestrado pelo MR8 concorreu ao Urso de Prata no Festival Internacional de Berlim em 1997 e ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1998. 

Ação entre amigos, é um produção com temática pós-ditadura. Quer dizer...a história trata do encontro de amigos torturados na ditadura e que sobreviveram para poder se vingar de um de seus algozes. O suspense do diretor Beto Brant, é uma produção de 1998, com elenco que conta com Leonardo Villar, Zécarlos Machado, Cacá Amaral, Genésio de Barros e Fernando Torres. Ganhou os prêmios de Melhor Direção, Fotografia e Trilha Sonora no Festival de Cinema de Recife. Ganhou também um prêmio em Chicago e outro em Miami (EUA).

Zuzu Angel (2006), é um filme que vai tratar da mulher e sua representatividade na ditadura. Conta a história de mães, mulheres e irmãs que perderam seus filhos, netos e irmãos para os porões da tortura militar, apenas pela história de uma única mãe, a estilista, Zuzu Angel. O filme conta com dois 'globais' de peso, Patrícia Pillar e Daniel de Oliveira. Mas, nem por isso é um filme de clichês. É uma boa produção que vale ser vista. Ganhou o prêmio de Melhor Figurino no Festival de Cinema Nacional, dentro outras indicações.

O ano em que meus pais saíram de férias, filme de 2006 dirigido por Cao Hamburger e estrelado por Caio Blat é o mais recente de todas as produções cinematográficas sobre a temática que teve destaque na bilheteria nacional. Uma peculiaridade é o mote do filme: um casal para se proteger e proteger seu filho, foge da repressão e promete voltar até a Copa do Mundo de 1970. A mistura de dor (a violência da ditadura) e a alegria (o futebol é a paixão do brasileiro) levou o diretor à uma indicação em 2007 ao Urso de Ouro no Festival Internacional de Berlim, ganhando no total 26 prêmios entre nacionais e internacionais e mais de 20 indicações em outros festivais.

Outros filmes nacionais podem ser conferidos nas locadoras: Prá frente Brasil (1983), Cabra-Cega (2004), Batismo de Sangue (2006), Cara ou Coroa (2012), entre outros.

Num tempo em que a barbárie assola o mundo e em especial o Brasil, que cheio de contrastes acredita que mulher pede para ser estuprada porque não tem poder de decisão sobre o uso de seu próprio corpo (sendo para os homens objeto de consumo, mercadoria), deixamos aqui nossa contribuição para o não esquecimento de tempos sombrios. Um história suja que não pode ser esquecida, para não ousar ser repetida.

Fica a dica, mas fica(m) a(s) indignação(ões).

Namorinho de Sofá