terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Memória sobre Palmeira Guimarães (Yûhaku).


Ao fuçar nos meus livros absolutamente desordenados encontrei o livro/cordel “A Vida de Buda em Versos”, do escritor Palmeira Guimarães, datado de 1977, e em minhas mãos desde 1987.
Procurei na memória um momento quando na adolescência tive o prazer de ver Palmeira Guimarães num bar underground na cidade de Campina Grande. Na ocasião estava na comemoração do aniversário de uma amiga (eu tinha uns 14 ou 15 anos).
Com esta memória lembrei-me da minha mãe dizendo que ele era primo da minha avó (nunca esqueci), sobrinho legítimo de meu bisavô Antônio Jacinto da Costa. Reconheci aquele homem que sentado em almofadas numa mesa estilo japonês junto com uma amiga tomando vinho e pensei: foi ele que compôs “Último Pau de Arara”, que boa parte das pessoas pensa que é de Luiz Gonzaga. Tive sorte. Nunca mais o vi depois daquele dia.
Em pesquisa on-line encontrei algumas referências a Palmeira Guimarães. A primeira, cita a autoria da música Último Pau de Arara, a segunda, cita três livros de sua autoria, e a terceira, uma crônica publicada no Correio da Paraíba em 2007.
A composição da música último Pau-De-Arara é de Venâncio, Corumbá (dois dos mais conhecidos compositores e cantores da tradicional música sertaneja) e José Palmeira Guimarães, este último mais conhecido por seus amigos por Palmeirinha e, ainda hoje, desconhecido do grande público. Foi gravada no LP do Fagner em 1973.
Parte da poesia foi censurada, à época e, posteriormente gravada num CD do Coral da Petrobrás, no ano 1996, sob a regência do Padre Pedro Ferreira da Costa, em Natal (RN). Nesta versão, foi colocada a parte censurada, conforme abaixo:


ÚLTIMO PAU-DE-ARARA - Composição: Venâncio / Corumbá / J. Guimarães
Intérprete: Coral da PETROBRÁS – Natal – RN - CD VOZ & ALMA – 1996

“NÃO ADIANTA IR EMBORA,
PRA SÃO PAULO OU GUANABARA,
O PATRÃO QUE AQUI ME EXPLORA
ME ARRANCA OS OLHOS DA CARA
É O MESMO PATRÃO DE LÁ
E O DEUS DE LÁ É O DAQUI
SÓ DEIXO MEU CARIRI
NO ÚLTIMO PAU-DE-ARARA.”


Outra gravação, apresentando outra versão, segundo o poeta, cantor e compositor paraibano, um legítimo seguidor de Jacson do Pandeiro, Biliu de Campina; a música de Venâncio e Corumbá e letra original de JOSÉ PALMEIRA GUIMARÃES, foi gravada no CD - Forró Pé & Cabeça de Serra – 2005, do próprio Biliu de Campina, cuja capa encabeça este artigo.  http://lentescangaceiras.blogspot.com.br/2008/11/pau-de-arara-  msica.html
Livro de poesias do autor paraibano Palmeira Guimarães, autor também de "O Habitante do Amanhã" e "A Vida de Buda em Versos": http://www.skoob.com.br/livro/284592


Recortes da crônica publicada no Jornal Correio da Paraíba em 03 de abril de 2007.

É isto mesmo! O título foi copiado do livro de crônicas “Deliciosos”, premiado pela Academia Paraibana de Letras, com justiça.

[...] RaimundoYasbeck Asfora, prefaciando o livro “Habitante do Amanha”, descreve o poeta assim: “um cara baixinho – mais baixinho do que magro - que sorria triste e trazia um enorme medalhão de ouro com a efígie de Jesus sob a camisa desbotada. Um jovem poeta-violeiro, considerado um fenômeno”. Opinião ratificada pela crítica quando lançou “A vida de Buda em versos”. Uma pérola do cordel, saudado como um livro magnífico, comovente e profundo. Então, já era monge budista, este caboclo interplanetário.

[...] Li o livro “Deixe o coração voar”, uma coletânea de versos como o autor pediu: Sentindo. Vivenciando o clima de amor e liberdade, almejando uma sociedade e mundo mais justo e mais contente. Li em Valencia, Espanha. Madre mia! Da Europa acompanho a preocupação global com o meio ambiente, vivencio o problema da seca em terras espanholas, atos de terrorismo. Os homens continuam violentos, injustos e cada vez mais tristes.

Você foi o fio terra da crônica de Sitônio. É certo que o amor crístico, a verdade búdica da Lei da Impermanência foram esquecidas ou nunca aprendidas. As guerras continuam gerando toda espécie de mazelas. Os desastres ecológicos se amiúdam. Como segurar a lágrima que desce suave ao escutar em terra distante: “Só deixo o meu Cariri / no último pau-de-arara”? Penso no Brasil... Riqueza pura!!! E, no entanto, à mercê de governantes irresponsáveis. Mais do que nunca é imperioso lutar e acreditar. Acreditar para poder lutar.

        José Palmeira Guimarães, precisamente trinta e sete anos depois (estamos no ano da graça de 2007, século XXI) eu respondo à convocação feita por você no poema “Manifesto”, publicado no Rio de Janeiro em 1970.


“Você, ator, cantor, pintor, poeta, músico, irmão,
Venha juntar ao meu o seu recado, venha me dar a mão.
Vamos fazer dessa divina herança, um grito de
esperança. Venha me dar a mão!”




No blog Namorinho de Sofá na Aba Leitura Predileta consta o início e o final do livro “A Vida de Buda em Versos”.
Fica aqui nossa homenagem a Palmeira Guimarães.


Lala Medeiros.

Raizes africanas, sincretismo religioso

Hoje para os católicos comemora-se o Dia de Sta. Bárbara. Para nós do candomble´ é Dia de Iansã (Oyá) - rainha dos ventos e dos raios. Orixá forte e decidido é senhora dos eguns (das almas). Seus símbolos são os chifres de búfalo, o alfanje, a adaga e o eruesin. Sua figura ligada aos cultos agrários africanos, consequentemente ligados à fecundidade e aos chifres de novilho e búfalo são símbolos da virilhidade de Iansã e de seus filhs e filhas.

Pontos de Canto de Iansã

Vem oh vento vem
Sopra bem forte
e traz prá este jacutá
A força divina de Iansã
E a benção de Oxalá
Vem oh vento e traz também 
A paz e a esperança
para quem não tem (2X)


Ventou nas matas
Ventou nas pedreiras
Que vento forte
Nas cachoeiras (2X)
Não é Oxóssi, não é Xangô >
É Iansã, com seu patakoto (2X)




Iansã, Orixá de Umbanda
Rainha do nosso Congá
Saravá Iansã lá na Aruanda
Eparrêi, eparrêi
Iansã venceu demanda
Iansã, Saravá Pai Xangô
No céu trovão roncou
E lá na mata o leão bradou
Saravá Iansã, saravá Xangô >(2X)   


Prece católica a Sta. Bárbara

Santa Bárbara, que sois mais forte que as torres das fortalezas e a violência dos furacões, fazei que os raios não me atinjam, os trovões não me assustem e o troar dos canhões não me abalem a coragem e a bravura. Ficai sempre ao meu lado para que possa enfrentar de fronte erguida e rosto sereno todas as tempestades e batalhas de minha vida, para que, vencedor de todas as lutas, com a consciência do dever cumprido, possa agradecer a vós, minha protetora, e render graças a Deus, criador do céu, da terra e da natureza: este Deus que tem poder de dominar o furor das tempestades e abrandar a crueldade das guerras. Santa Bárbara, rogai por nós! 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Semana cultural agita o MAC (UEPB)

A semana começa muito interessante para a divulgação da cultura nacional de universo femino no Museu Assis Chateaubriand no bairro do Catolé, em Campina Grande.
A partir de amanhã, 05/12/2012 os campinenses e visitantes de outras localidades poderão prestigiar a  exposição Útero das artistas plásticas Aida Martins, Lili Brasileiro, Vera Barreto, entre outras. As obras poderão ser visitadas e apreciadas até 05/02/2013.


A inspiração para a exposição são as mulheres e sua força. E todas as obras - pinturas, esculturas e instalações - serão guiadas pelas 9 artisitas parte do projeto.


No dia 06/12, quinta-feira, é a vez da nossa querida Fidélia Cassandra encabeçar o Sarau ao Pôr do Sol - A Hora da Estrela. O evento começa um pouco mais cedo, as 17h30 e terá textos de Florbela Espanca e Anayde Beiriz.

Com certeza dois eventos imperdíveis nesse final de ano. O MAC fica localizado à Rua José Lélis, 581, próximo ao Shopping Boulevard. A entrada é franca.